O barco nas perdas

Vene kivikossa 

Eu morei na praia há quase a minha vida inteira. Quando era criança eu pescava e fazia excursões na área dos lagos na Finlândia Leste. As formas diferentes de água: neve, gelo e água corrente me interessam e estão presentes em minha carreira de artista por 30 anos.
Há 12 anos moro em Joensuu onde o rio Pielisjoki corre pela cidade. O rio me faz relaxar e é o ponto inicial da minha arte. Durante o inverno o rio fica esteticamente interessante porque a água fica visível na paisagem de neve. A água derretida reflete luz e a paisagem da praia como se ela fosse um grande espelho da natureza. Como um material corrente, a água significa também a mudança e a continuação na vida. O rio e a água escondem e revelam o relacionamento entre o ser humano e a natureza. É fácil esquecer coisas e o passado sob a superfície da água. A superfície da água é bonita, mas ela esconde muitas coisas e fenômenos diferentes que o ser humano só pode imaginar e é por isso que o corrente sempre será como uma fonte da minha arte.

Dois anos atrás o rio secou em algumas partes e a superfície da água baixou por mais de três metros. O rio revelou os barcos esquecidos nas praias. Depois de achar os barcos eu fiquei interessada na história do rio, do relacionamento anterior do ser humano com o rio. A corrente sempre serviu como uma via de transporte e um meio de subsistência. Foi mesmo pelos rios que a cultura chegou à minha região. O físico e as experiências na natureza sempre me fazem pensar na minha própria existência. A relação com a natureza sempre significou mais do que as modas de arte e as interações sociais. A natureza Finlandesa é o meu museu da arte onde há uma “exposição” que muda o tempo todo. A relação entre o ser humano e a natureza é como um objeto distante no espaço. Um pode chegar perto, mas nunca alcançá-lo.



Seppo Väänänen
Nasceu em 1950 em Kuopio e mora e trabalha agora em Joensuu.