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Como artista plástico eu me considero uma
pintora. Eu uso cores de óleo e acrilico. Também participo
em teatro e em planejamento de desempenhos.
As minhas pinturas geralmente são ”diptychs” que
têm duas partes. Já fiz um série longa de ”diptychs” cujas
partes eram sempre do mesmo tamanho, 72 x 46 cm. Os pares podiam ser
misturados um com o outro. Assim eles formaram entidades novas. No
fim da série apareceram ”tritychs” e os tamanhos
das partes começaram a mudar. Eu já fiz algumas exposições
sobre isso. Até hoje esta dualidade continua, porém o
tamanho das minhas obras aumentou bastante.
O pólo vazio que fica entre as duas partes da obra pode ser
o que descreve o tempo. O olho e a mente vêem a obra e o tempo
como continuando mesmo que no meio tenha um espaço. Eles não
podem deixar sem observar o anterior e o próximo - o passado
e o futuro - mesmo que tentem muito. No outro lado as imagens podem
ser organizadas de uma forma diferente. Assim, se surgem entidades
novas e novos pontos de vista. Eu uso uma citação do
livro escrito por Jostein Gaarder: ”Isso é chamado de
dispersão, ... primeiro cada carta tem algum significado e
depois elas são misturadas e redistribuídas.”
Com certeza nas minhas imagens tem muito sobre a minha história
de vida. Isso acho que têm em obras de todo mundo. Muitas vezes é só depois
da obra ficar pronta que eu percebo como tenho estado durante o processo
de pintar. Eu espero que para ver as minhas obras a pessoa perceba
o que ele/ela está sentindo e pensando naquele momento.
Talvez eu pinte porque tenho uma vontade de ver além da aparência
das coisas, aquilo que não se pode observar de uma outra maneira.
Se pode perceber várias coisas diferentes na imagem, aí você pode
observar estes e aí permanecerão.